quarta-feira, 4 de abril de 2012

Fragmentos Amorosos (Not a matter of choice, just a matter of time)

 Os dois estavam dispostos a andar sem direção e sem saber o que procurar, assim pareciam viver felizes. Um dia se encontraram, conversaram, tomaram vinho e viram que tinham muito em comum: O gosto pela liberdade de não atar o coração...
 E no início da manhã, cada um seguiu seu próprio caminho e nunca mais se viram.  Acho que ela tinha uma mania irrefreável de maltratar o próprio coração. Tudo que era mal ela permitia que lhe fizessem. E se tudo parecia bem ela se coçava, se desesperava. A tristeza se tornou um vício e com o tempo o que ela sentia virou uma incógnita até em seu interior, passou a gastar muito com a alegria guardada em pequenos comprimidos. Dizem que não havia rapaz capaz de fazer aquela moça feliz. Eu a observava, eu também acho que felicidade é uma fruta doce que logo apodrece; mas ao menos eu fingia.
 De toda essa tristeza nascia alguns belos poemas, mas o que é o poema se não se pode parar de engrandecer a tristeza em palavras e viver a alegria na prática? Mudei de cidade e não mais a vi. Sinto falta de seus olhos tristes e seus lábios falando mal do amor, e em alguns dias eu quase concordo... Quase.


                                                                                                                                     (Foto: Gabriele Diola)

 A última lembrança que tenho dela são daqueles olhões castanhos parecendo mais claros com o sol da tarde iluminando-os. Ela disse em algumas poucas palavras que não iria mais ficar, tentei um longo discurso amoroso, que se mostrou inútil. Eu deveria ter me comportado como homem e dado as costas, ter ido embora e comido uma boa puta. Mas não, eu lacrimejei, pedi pra ela ficar e passei uns bons dias derrotado.

   Diabos! As boas reações de força só me surgem quando já fraquejei, e muito tempo depois...

 Eu bebo o vinho e dou risada, mancho meu livro e minha camiseta. Choro e faço drama, fico sozinho em casa. Quem pode me negar esse direito? Direito de não me esbaldar por aí, de não fazer social, direito de exorcizar com sal cada demônio dessa chaga exposta? Eu lia os jornais e chorava com as dores do mundo e agora me distancio, não dá mais pra sofrer por uma causa perdida. Crianças mortas, lares desfeitos, bêbados, vagabundos... Nem mesmo choro por mim ou minha mãe.

   Que se dane as dores do mundo! Meu corpo mal está aguentando esse porre...

 De vez em quando agradeço ao Deus que muitas vezes, eu sequer acredito. Mas, ás vezes, eu sinto uma mão pesada no meu ombro e sinto que vem muita coisa por aí. Sou obrigado a acreditar, sozinho eu não vou nem na esquina, quanto mais nesse inferno que prevejo.
 No dia do meu maior adeus, eu caminhei por aí, sem o meu senso de humor de sempre. Desde esse dia, toda piada ficou amarga. Não devia ter acreditado que um dia ela pudesse ter gostado de mim, mas levava provas no pensamento. Como não ficamos juntos para sempre se mil vezes em fantasia fomos para Disney-Lândia, casamos, tivemos filhos, e envelhecemos juntos?

Que armadilha imaginar demais...

 Hoje eu nem lembro dos tempos doces de romantizar qualquer olhar, vejo na mulher uma graça, uma admiração imensa, mas estou longe de amar, aliás, essa é uma palavra que se esvaziou de sentido nesses loucos tempos de razão.


                                                                                                                     


 Eu sabia as respostas para muitas coisas, até mesmo dei as receitas exatas de felicidade para muitos amigos e de tanto me convencer que sabia, fui colocar em prática e a certeza se perdeu. A vida esmaga quem quer viver só de certezas. Ando vivendo de perguntas, e esperando que essas sejam as perguntas corretas.




                                                                                                                   

 Elas eram felizes e tinham uma a outra, se era amor, amizade, coisa sem nome, isso não cabia explicar ao mundo. O que se sabe é que se completavam e o tempo maior, Deus de tudo e todos, abençoa os que vão em nível intenso viver de amizade, viver de amor, de riso. É válida toda tarde em que se pode brincar entre folhas secas e se sentir pleno. Digo, é raro... Tentem brincar entre folhas secas com seu melhor amigo.





PENSAMENTO CONSEQUENTE: Uma vez que você foi para o inferno e voltou, é o bastante. É a mais silenciosa celebração conhecida. (CHARLES BUKOWSKI)



Por Aquiles Marchel (Pensando Mal)

Um comentário:

  1. porra mo bacana isso
    valeu mesmoq bom qgostou cara kendo aqui parece ate melhor de oura pessoa rsrs

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